Ainda era cedo, nossas mães ainda
não haviam nos chamado para jantar, e nem deviam, pois não podiam nem sonhar
que eu estava com Helena. Ainda éramos crianças, mas nossos pais já nos
proibiam de nos encontrarmos.
Helena era da família Alencar, que
era inimiga de minha família, a Albuquerque. Eu e Helena apesar de sermos de
famílias inimigas, morávamos bem próximos um do outro. Todos os dias nos
encontrávamos em um lugar secreto, escondido de nossa família, e lá
brincávamos. Naquela época eu não entendia o porquê, mas só via graça em
brincar e estar com ela, com Helena. Éramos ainda crianças de 12 anos, não
sabíamos o que era amor, só estávamos vivendo algo que não havia explicação.
Nesta tarde não foi diferente,
brincamos como se fosse à última tarde juntos, e mal sabíamos que realmente
seria a última. Despedimos-nos e me lembro até hoje o que ela disse naquele
dia, com toda inocência de uma linda menina:
_ Te amo Heithor!
Após dizer isso, ela me deu um beijo
no rosto e saiu correndo. Eu fiquei vermelho, sem saber como reagir, mas
naquele momento entendi o porquê de querer ficar perto dela e não querer
brincar com meu primo, Arthur Albuquerque. Meu primo morava junto comigo na
fazenda de meus pais, no interior de Goiás. Um lugar de se apaixonar, com uma
floresta e um lago maravilhoso, um lugar colorido e calmo onde vivíamos desde
que nos entendemos por gente.
Após Helena ter saído correndo,
também fui embora para jantar e chegando em casa, minha mãe me deu a notícia. A
triste notícia da minha vida: mudaríamos para a Austrália, pois meu pai havia
conseguido bons negócios por lá. Meu primo e seus pais continuariam morando na
fazenda no interior de Minas, para cuidar das coisas na ausência do meu pai.
Depois de receber a triste notícia,
logo pensei em Helena e em como ficaríamos distantes por muito tempo. Pensei na
falta que ela iria me fazer, era a única que gostava de brincar e conversar
coisas bobas, de criança. Foi uma noite em claro.
No outro dia, com a ajuda de meu
primo, fui até o nosso cantinho secreto, que ficava um próximo das fazendas de
nossas famílias, dar a triste noticia á ela. Chegando lá, ela me esperava
ansiosamente como todos os dias, e eu fui até seu encontro e dei-lhe um abraço
bem forte, e disse:
_ Eu vou embora daqui Helena, vim me
despedir.
E Helena modificando rapidamente sua
expressão, disse:
_ Despedir por quê?
_ Meu pai vai trabalhar na
Austrália, um país bem longe daqui, e vamos morar lá.
Ela ficou sem reação, mas se
despediu de mim com mais um beijo no rosto, o melhor beijo do mundo. Então
voltei para casa. Tudo muito rápido e triste; foi assim a nossa despedida.
Passado alguns dias, todos
envolvidos com os preparativos da mudança, inclusive eu, afinal era algo novo e
isso sempre me atraiu. Não vi mais Helena.
Naquela nebulosa manhã, minha mãe
Regina me chamou:
_ Arthur, levante temos horário,
devemos ir rápido para o aeroporto.
Levantei num salto, empolgado,
assustado e muito triste por Helena. Decidido disse a Arthur no momento da
despedida:
_ Primo, preciso pedir-lhe um favor.
Escreverei cartas à Helena e as mandarei por você. Será o nosso segredo,
ninguém poderá saber.
_ fique tranquilo, assim o farei.
_ Obrigado! Escreverei todos os
meses e tenho certeza que ela me responderá, então ela dará um jeito de
entregá-las para que você as mande para mim.
_ Serei o porta voz dessa amizade.
_ Obrigado primo, não sei o que
faria sem você, toda vez que preciso sempre me ajuda.
E dessa forma nos despedimos e embarquei para uma nova vida, com um futuro
desconhecido e misterioso para um menino de apenas 12 anos. Quando somos
crianças somos tão inocentes...
Durante a viagem sobrevoamos nossas
fazendas e me lembro de ouvir um comentário do meu pai.
_ Ainda bem que vamos morar na
Austrália, assim ficaremos bem longe da família Alencar, e Heithor não viverá
perto daquela gente.
Naquela época não sabia o porquê minha
família não gostava da família da Helena e nem precisava saber, afinal eu e
Helena éramos crianças apenas, e não tínhamos nada a ver com os problemas de
adultos. Só pensava nas cartas que escreveria a ela, confiava muito em meu
primo, era ele a forma de comunicação entre eu e Helena.
Na
Austrália
Fomos direto para a casa onde iríamos morar, meu pai tinha amigos
na Austrália e esses já haviam cuidado de tudo. Meu novo lar ficava em um lugar
bastante movimentado e agitado, bem diferente da fazenda, onde tudo era calmo e
admirável. O peito apertado de saudades mas a Austrália também era bonita,
cheia de novidades e costumes para conhecer. Era o começo de uma nova vida, mas
sem Helena.
No dia seguinte, minha mãe com os
preparativos da casa, meu pai com os burocráticos, empresa, escola para mim e
contas bancárias que lhe tomaram todo o dia. Fui para meu quarto inventar
alguma coisa pra fazer, mas era praticamente impossível pensava insistentemente
em Helena.
Mas sabia que agora que estava
crescendo, teria que dedicar meu tempo aos estudos, pois meus pais sonhavam que
eu seria um grande e poderoso médico, apesar de essa não ser a minha vontade. O
tempo não passava, então resolvi escrever a primeira carta, peguei um papel e
canetas coloridas e entre dúvidas e sonhos, escrevi:
28 de agosto de 1995, Austrália.
Minha Helena,
Olá, está tudo bem por ai? Com quem conversa agora que não estou mais ai? Eu estou bem, mas
com saudade de você. Moro em um lugar bem diferente da fazenda, aqui é movimentado,
não há a tranquilidade que tinha aí.
Você sente saudade de mim também? Espero que sinta. Gosto muito de você, sabia?
Quando crescermos, quero namorar com você, aceita? Quando me responder, entregue
a carta para meu primo, nossas confidencias estarão seguras com ele.
Tchau!
Coloquei a carta em um envelope e
mandei para meu primo, confiando que ele entregaria para ela. Mal escrevi as
cartas e já estava ansioso pela resposta de Helena, afinal havia feito um
pedido muito importante, mas meus pais não podiam saber disso, nem desconfiar.
Eu a chamava de “Minha Helena”, pois
acostumei assim, um apelido carinhoso, sei lá porque, mas tinha ciúmes quando
via os outros meninos perto dela, então costumava dizer que ela era só “minha”.
Alguns dias se passaram e a carta de
Helena não havia chegado ainda, então liguei para meu primo e disse:
_ Arthur, você entregou a carta que
mandei para Helena?
E ele por um momento ficou em silêncio,
e logo após disse:
_ Entreguei sim primo, mas ela não
me entregou nenhuma carta para te mandar não.
_ Hum... Que estranho, vou esperar
mais.
O tempo passou e nenhuma resposta de
Helena. Estava muito triste por ainda não receber a carta, comecei a pensar que
Helena já havia me esquecido, arranjado outro amigo e até mesmo um namorado.
Meus pais já começaram a desconfiar,
eu andava triste, não brincava, não conversava muito. Foi então que minha mãe
me perguntou se estava acontecendo algo e eu menti dizendo:
- Estou assim mãe, porque sinto
falta do Arthur, ele era um grande amigo meu, aqui não tem nada para fazer.
Minha mãe acreditando em minha mentira disse:
_ Filho, aqui você pode arranjar
outros amigos e se divertir com eles!
Eu somente sorri e pensei comigo que
somente Helena poderia me fazer sorrir.
Um mês se passou e nada da carta de
Helena chegar, então resolvi escrever mais uma carta:
28
de setembro de 1995, Austrália.
Minha
Helena(se é que ainda posso te chamar assim),
Olá Helena, como está? Eu não estou nada bem,
pois te mandei uma carta e você não me
respondeu, porquê? Eu fiz ou falei algo que você não gostou? Eu gosto
muito de você, o que me deixa mais triste é que te pedi em namoro na outra carta e você não me respondeu, é porque não quer namorar
comigo? Seja qual for seu pensamento
saiba que vou continuar te amando, para sempre. Espero que me responda desta
vez. Seja qual for a resposta, eu preciso de uma.
Tchau!
Era mais uma carta escrita e
enviada, e minhas esperanças continuavam para que ela me respondesse. Minha Mãe
todos os dias me falava para brincar com as crianças vizinhas, mas ela percebia que eu não estava bem para isso,
que preferia ficar em casa, sozinho.
Minha mãe era uma pessoa muito legal, amiga, ela sempre enxergava que
eu não estava bem, e tentava me animar, sentia muita falta de Helena, mas tinha
uma companheira em casa, era minha mãe.
Queria tanto contar para ela de
Helena, poder contar sobre o que sinto, pedir conselhos, mas se eu contasse
para ela, ela contaria para meu pai, ela era legal como disse, mas quando se
tratava da família Alencar, ela se irritava e se eu contasse ela iria direto
contar para meu pai. E meu pai, era uma pessoa fria, que não suportava erros,
vivia para o trabalho e odiava os Alencar.
O que eu sinto por Helena, só Arthur
sabe, confio plenamente nele, mas eu estava achando estranho ele não me ligar
mais, não falar o que estava acontecendo por lá, fiquei muito triste porque até
meu primo estava me deixando sozinho,eu já não sabia mais o que fazer se eu
esquecia Helena ou se eu a esperava o tempo que fosse preciso. ..
Dez anos se passaram, eu estava com
vinte anos, e Helena também. Durante todo este tempo, por todos os meses eu
mandei cartas, mas até hoje nenhuma foi respondida, meu sentimento não mudou, continuo amando Helena.
Da última vez que liguei para meu primo ele me disse que Helena nem se lembrava
mais de mim, estava feliz e namorando com outro cara. Essa notícia me deixou no
chão! A Helena que passei minha infância e adolescência amando não era a mesma
de hoje, quando éramos crianças éramos inseparáveis, e ela parecia gostar de
mim também, ela jurou que me esperaria, mas não esperou. O amor de infância se
tornou o amor de adulto, mas só dentro de mim.
Estava na faculdade já, cursando
medicina, como papai queria. Não era bem o que eu queria mas era o que ele
queria, e era somente a opinião dele que valia. Meus pais e eu estávamos
vivendo muito bem na Austrália, os negócios de meu pai estavam indo muito bem,
os pais de meu primo Arthur estavam cuidando muito bem da fazenda no interior
de Goiás, estava tudo dando certo, mas dentro de mim, não. Eu me sentia muito
sozinho, por mais que eu tentasse, não conseguia encontrar uma garota como
Helena, nem amigos verdadeiros eu tinha.
Na faculdade, várias garotas vieram
atrás de mim, mas nenhuma me interessava, nenhuma se comparava a Helena, a
pureza e doçura que só minha Helena tinha. Não consigo acreditar que ela está
namorando com outro garoto, sendo que fui eu que pedi ela em namoro, um pedido
que jamais foi respondido.
Ahhhh Helena... Se soubesse quanta
falta você me faz. Ela era uma menina ainda, mas lembro de como ainda criança
ela já era linda, sua pele branca e suave como a neve, sua boca então, era
maravilhosa, vermelha como um coração, um cabelo loiro e liso. Eu me lembro, me lembro de quando brincávamos e eu puxava
seu cabelo, me lembro de seu olhar também, com aqueles olhos azuis. Helena
parecia uma boneca, a sua beleza era diferente, se destacava...
E agora? Como Helena estaria? Será
que sua beleza ainda era a mesma? Acho que ela deve estar mais linda ainda,
agora ela não é mais a menininha de antes, deve ser uma mulher e sua beleza
deve ser maior ainda!
Um amor não correspondido como o
meu, rasga, machuca e destrói, mas o que vou fazer se esse amor não sai? O que
me resta é conviver com esse amor solitário, tentar não demonstrar minha
tristeza pros meus pais, e guardar esse sentimento só pra mim. Na verdade, a
vida não está sendo fácil, não tem sentido. Minha vida se resume apenas em
estudar, e pensar, estudar.
A faculdade me ocupava, afinal, o
curso de medicina não é fácil. Era a única forma de o tempo passar, eu vivia
estudando, pesquisando, e aos poucos eu me tornei o melhor aluno da sala. Meus
pais ficaram muito felizes por mim, eles me viam só estudando e isso era um
orgulho para eles.
Em uma bela noite australiana, para minha surpresa, quando
desci para jantar, havia uma moça sentada junto aos meus pais na mesa, quando
me aproximei e sentei minha mãe foi logo a apresentando:
_ Meu filho esta é Elisa, filha de
um amigo de seu pai. Nós a convidamos para jantar conosco e para vocês se
conhecerem, pois estava achando você muito tristonho.
Eu, claro que não me interessei pela
moça, mas mantive minha educação e disse:
_ Muito prazer Elisa!
Foi o máximo que consegui, um único
sorriso educado e o silêncio do jantar, só o barulho dos talheres e a fala dos
meus pais, às vezes, para quebrar o silencio do meu coração.
O que minha família está pensando?
Agora além de estudar o que eles queriam, vou me casar com quem eles querem
também? Naquele momento guardei essas
palavras para mim.
Após o jantar fomos para a sala, e
minha mãe me fez sentar ao lado da moça, logo trocamos algumas palavras:
_ Você estuda o quê?
E ela meio sem graça, pois entendeu
rapidamente a situação, disse:
_ Estudo direito, e você?
_ Estudo medicina, já estou terminando.
Eu não via graça em conversar com
qualquer garota que seja, e ali estava vendo que se continuasse conversando com
ela, minha mãe iria me fazer acabar me casando com a moça.
O
silêncio era maior que as palavras, o abismo entre eu e aquela desconhecida era
enorme, decidi inventar que estava passando mal e que iria me deitar.
Elisa era simpática, inteligente e
bonita, a culpa não era dela, juro que se pudesse esquecer Helena..., mas não
seria honesto de minha parte enganar essa moça.
Na manhã seguinte acordei com minha
mãe brigando comigo, por conta da noite passada, mas só escutei e fiquei
quieto, não havia o que falar, porque realmente ela estava com razão, já estava
passando da hora de eu me compromissar com alguma moça, mas não podia contar a ela
que já era apaixonado por alguém. Então ela saiu do quarto, e eu diante de toda
a situação, a pressão de meus pais e meu amor não correspondido por Helena,
sentei em minha cama e chorei, chorei como um menininho de cinco anos; chorei
muito, parece que eu não tinha saída, estava me sentindo preso, sozinho, sem
rumo.
Pensei comigo mesmo se o amor é assim, cheio de sofrimento, dor,
parece que está tudo escuro, não se vê direção... Nesse momento, me passou pela
cabeça em pegar um papel e uma caneta e escrever para Helena, mas para quê? Se
ele não iria me responder, depois de tanto tempo eu iria ser um tolo se
escrevesse para ela. Os tolos também amam, os tolos amam sozinho, amam mesmo
sabendo que esse amor não vai ser correspondido, e eu? Sou um desses tolos!
Dias passam, mas nada muda, já
estava ficando sem ânimo até para os estudos. No final de semana, eu não costumava
sair, mas no sábado de tardezinha minha mãe me avisou que iríamos sair juntos. Uma
noite em família, que iríamos pra um restaurante, e não iam aceitar que eu não
fosse, ou seja, mesmo não querendo tive que ir.
Chegando ao restaurante, adivinhem
quem estava lá? Sim, a Elisa, mais uma vez minha mãe quis tentar empurrar
aquela moça para mim, ela não desiste nunca. E mais uma vez fiquei em silêncio
durante todo o jantar, mas dessa vez não sabia o que inventar para escapar de
minha mãe e de Elisa. Agora, a moça que
chegou e sentou-se perto de mim. Ela era agradável, não merecia que eu a tratasse mal...
Acabando o jantar, meus pais pediram
para que eu levasse Elisa embora, pois eles iriam esticar a noite como um
casal. Eu não vendo alternativa, aceitei. Chegando a sua casa, parei o carro e
resolvi falar para ela a verdade, que não queria nada com ela, quem sabe assim
ela não aceitaria os pedidos de minha mãe.
_ Elisa, não tenho nada contra você,
aliás, é uma garota muito educada e bonita, mas preciso dizer algo sobre a
insistência dos meus pais. Desculpe-me, eu não gosto de você, e não há chances
de me interessar por você nem agora nem depois. Você é maravilhosa, mas já amo
outra pessoa. Na quero enganá-la.
Ela ficou sem saber o que dizer,
ficou sem graça, então terminei de falar:
_ Peço desculpas pela minha mãe,
eles querem tomar conta da minha vida, mas te agradeceria muito se não
aceitasse mais os pedidos dela.
Ela não ficou mal com o que eu
disse, pois ela também não gostava de mim, percebi que ela também era filha de
pais que querem escolher até com quem o filho deve casar. E ela responde com
toda educação:
_ Eu entendo, pode deixar que vou
tentar escapar de sua mãe, sei que nos dois não iríamos dar certo, obrigado por
ter me trazido, tchau!
E assim desceu do carro e
desapareceu por aquela porta.
A vida e as oportunidades estavam
passando na minha frente, e eu as deixando passar, e continuando preso em
Helena, por incrível que pareça meu sentimento só aumentava, mesmo sabendo que Helena
nem se lembrava de mim. Pensava nela toda hora, todo segundo, eu não sei como
explicar, mas algo me prendia a ela de uma forma tão forte, como se alguém sussurrasse
em meu ouvido e dissesse:
_ Não desista!
E assim continuei, convivendo com a
dor, a dor daquele amor de infância que pensei que seria para sempre. Quando
era criança, mesmo com mente de menino, eu via meu futuro com Helena, e olha
como tudo mudou. Na verdade, não sei como consegui transformar-me no estado em
que estou agora. Horas de desespero, fica tudo escuro, acho que a luz mesmo só
vai aparecer quando ver Helena. Tem hora que me desespero, mas também tem hora
que me revolto. Me revolto com a vida, em como ela foi injusta comigo, e depois
peço desculpas a Deus, afinal pra que me revolta com a vida? Ela não tem culpa,
quem tem culpa é o amor, o maldito amor que rasga meu coração e só causa dor,
dor e dor.
A noite havia chegado e então fui me
deitar, quando amanheceu, antes de eu sair do meu quarto, ouvi meus pais
conversando, eles estavam pensando que eu estivesse dormindo e conversavam
sobre a família Alencar. Foi nesse dia que descobri o porquê da inimizade com a
família de Helena.
A minha família era muito amiga da
família de Helena desde muito antigamente; meu avô tinha uma empresa de tecidos
muito grande, e o avô de Helena era o seu braço direito na empresa. Mas, um dia,
meu avô descobriu que o dinheiro da empresa havia sido desviado, e a empresa
estava falindo. Meu avô desconfiou logo do avô de Helena, acusou-o de tê-lo
traído, e a partir deste dia as famílias se tornaram inimigas, sem nunca
provarem nada, nem culpa, nem inocência.
Não contei para meus pais
que tinha ouvido a conversa deles, e nem iria contar, não adiantaria nada eu
saber dessa história agora, afinal Helena já havia me esquecido.
Os dias passavam lentamente, e u,
estudo, reflexão e mais estudo. Em uma noite, em casa, meu pai me chamou e me
disse que precisaria voltar para Goiás, fazer uma viagem a trabalho. Disse que essa
viagem duraria uma semana. Precisaria ir à fazenda para resolver alguns
negócios com meu tio, o pai de Arthur, e me convidou par ir junto.
O convite dele veio foi como uma
bomba pra mim. Todo passado de volta, pela minha cabeça as dúvidas, as
lembranças boas que passei na fazenda com Helena, mas também o medo. Pensei que
se fosse lá com meu pai, eu poderia encontrar Helena, e com outro homem, seria
demais pra mim. Mas meu pai insistiu, e depois de tantos anos, eu não tive como
recusar. afinal, era uma oportunidade de me aproximar mais dele, e, talvez de
enfrentar o passado e curar feridas. Seria apenas uma semana...
Fui dormir, pensando. E agora? Como
seria nossa ida a Goiás?