sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Primeiro capítulo do Romance: Minha eterna Helena

            Ainda era cedo, nossas mães ainda não haviam nos chamado para jantar, e nem deviam, pois não podiam nem sonhar que eu estava com Helena. Ainda éramos crianças, mas nossos pais já nos proibiam de nos encontrarmos.
            Helena era da família Alencar, que era inimiga de minha família, a Albuquerque. Eu e Helena apesar de sermos de famílias inimigas, morávamos bem próximos um do outro. Todos os dias nos encontrávamos em um lugar secreto, escondido de nossa família, e lá brincávamos. Naquela época eu não entendia o porquê, mas só via graça em brincar e estar com ela, com Helena. Éramos ainda crianças de 12 anos, não sabíamos o que era amor, só estávamos vivendo algo que não havia explicação.
            Nesta tarde não foi diferente, brincamos como se fosse à última tarde juntos, e mal sabíamos que realmente seria a última. Despedimos-nos e me lembro até hoje o que ela disse naquele dia, com toda inocência de uma linda menina:
            _ Te amo Heithor!
            Após dizer isso, ela me deu um beijo no rosto e saiu correndo. Eu fiquei vermelho, sem saber como reagir, mas naquele momento entendi o porquê de querer ficar perto dela e não querer brincar com meu primo, Arthur Albuquerque. Meu primo morava junto comigo na fazenda de meus pais, no interior de Goiás. Um lugar de se apaixonar, com uma floresta e um lago maravilhoso, um lugar colorido e calmo onde vivíamos desde que nos entendemos por gente.
            Após Helena ter saído correndo, também fui embora para jantar e chegando em casa, minha mãe me deu a notícia. A triste notícia da minha vida: mudaríamos para a Austrália, pois meu pai havia conseguido bons negócios por lá. Meu primo e seus pais continuariam morando na fazenda no interior de Minas, para cuidar das coisas na ausência do meu pai.
            Depois de receber a triste notícia, logo pensei em Helena e em como ficaríamos distantes por muito tempo. Pensei na falta que ela iria me fazer, era a única que gostava de brincar e conversar coisas bobas, de criança. Foi uma noite em claro.
            No outro dia, com a ajuda de meu primo, fui até o nosso cantinho secreto, que ficava um próximo das fazendas de nossas famílias, dar a triste noticia á ela. Chegando lá, ela me esperava ansiosamente como todos os dias, e eu fui até seu encontro e dei-lhe um abraço bem forte, e disse:
            _ Eu vou embora daqui Helena, vim me despedir.
            E Helena modificando rapidamente sua expressão, disse:
            _ Despedir por quê?
            _ Meu pai vai trabalhar na Austrália, um país bem longe daqui, e vamos morar lá.
            Ela ficou sem reação, mas se despediu de mim com mais um beijo no rosto, o melhor beijo do mundo. Então voltei para casa. Tudo muito rápido e triste; foi assim a nossa despedida.
            Passado alguns dias, todos envolvidos com os preparativos da mudança, inclusive eu, afinal era algo novo e isso sempre me atraiu. Não vi mais Helena.
            Naquela nebulosa manhã, minha mãe Regina me chamou:
            _ Arthur, levante temos horário, devemos ir rápido para o aeroporto.
            Levantei num salto, empolgado, assustado e muito triste por Helena. Decidido disse a Arthur no momento da despedida:
            _ Primo, preciso pedir-lhe um favor. Escreverei cartas à Helena e as mandarei por você. Será o nosso segredo, ninguém poderá saber.
            _ fique tranquilo, assim o farei.
            _ Obrigado! Escreverei todos os meses e tenho certeza que ela me responderá, então ela dará um jeito de entregá-las para que você as mande para mim.
            _ Serei o porta voz dessa amizade.
            _ Obrigado primo, não sei o que faria sem você, toda vez que preciso sempre me ajuda.
            E dessa forma nos despedimos  e embarquei para uma nova vida, com um futuro desconhecido e misterioso para um menino de apenas 12 anos. Quando somos crianças somos tão inocentes...
            Durante a viagem sobrevoamos nossas fazendas e me lembro de ouvir um comentário do meu pai.
            _ Ainda bem que vamos morar na Austrália, assim ficaremos bem longe da família Alencar, e Heithor não viverá perto daquela gente.
            Naquela época não sabia o porquê minha família não gostava da família da Helena e nem precisava saber, afinal eu e Helena éramos crianças apenas, e não tínhamos nada a ver com os problemas de adultos. Só pensava nas cartas que escreveria a ela, confiava muito em meu primo, era ele a forma de comunicação entre eu e Helena.






Na Austrália

            Fomos direto para a  casa onde iríamos morar, meu pai tinha amigos na Austrália e esses já haviam cuidado de tudo. Meu novo lar ficava em um lugar bastante movimentado e agitado, bem diferente da fazenda, onde tudo era calmo e admirável. O peito apertado de saudades mas a Austrália também era bonita, cheia de novidades e costumes para conhecer. Era o começo de uma nova vida, mas sem Helena.
            No dia seguinte, minha mãe com os preparativos da casa, meu pai com os burocráticos, empresa, escola para mim e contas bancárias que lhe tomaram todo o dia. Fui para meu quarto inventar alguma coisa pra fazer, mas era praticamente impossível pensava insistentemente em Helena.
            Mas sabia que agora que estava crescendo, teria que dedicar meu tempo aos estudos, pois meus pais sonhavam que eu seria um grande e poderoso médico, apesar de essa não ser a minha vontade. O tempo não passava, então resolvi escrever a primeira carta, peguei um papel e canetas coloridas e entre dúvidas e sonhos, escrevi:


28 de agosto de 1995, Austrália.

Minha Helena,

Olá, está tudo bem por ai? Com quem conversa  agora que não estou mais ai? Eu estou bem, mas com saudade de você. Moro em um lugar bem diferente da fazenda, aqui é movimentado, não há a tranquilidade  que tinha aí. Você sente saudade de mim também? Espero que sinta. Gosto muito de você, sabia? Quando crescermos, quero namorar com você, aceita? Quando me responder, entregue a carta para meu primo, nossas confidencias estarão seguras com ele.
Tchau!

            Coloquei a carta em um envelope e mandei para meu primo, confiando que ele entregaria para ela. Mal escrevi as cartas e já estava ansioso pela resposta de Helena, afinal havia feito um pedido muito importante, mas meus pais não podiam saber disso, nem desconfiar.

            Eu a chamava de “Minha Helena”, pois acostumei assim, um apelido carinhoso, sei lá porque, mas tinha ciúmes quando via os outros meninos perto dela, então costumava dizer que ela era só “minha”.
            Alguns dias se passaram e a carta de Helena não havia chegado ainda, então liguei para meu primo e disse:
            _ Arthur, você entregou a carta que mandei para Helena?
            E ele por um momento ficou em silêncio, e logo após disse:
            _ Entreguei sim primo, mas ela não me entregou nenhuma carta para te mandar não.
            _ Hum... Que estranho, vou esperar mais.
            O tempo passou e nenhuma resposta de Helena. Estava muito triste por ainda não receber a carta, comecei a pensar que Helena já havia me esquecido, arranjado outro amigo e até mesmo um namorado.
            Meus pais já começaram a desconfiar, eu andava triste, não brincava, não conversava muito. Foi então que minha mãe me perguntou se estava acontecendo algo e eu menti dizendo:
            - Estou assim mãe, porque sinto falta do Arthur, ele era um grande amigo meu, aqui não tem nada para fazer. Minha mãe acreditando em minha mentira disse:
            _ Filho, aqui você pode arranjar outros amigos e se divertir com eles!
            Eu somente sorri e pensei comigo que somente Helena poderia me fazer sorrir.
            Um mês se passou e nada da carta de Helena chegar, então resolvi escrever mais uma carta:

28 de setembro de 1995, Austrália.

Minha Helena(se é que ainda posso te chamar assim),

Olá  Helena, como está? Eu não estou nada bem, pois te mandei uma carta e você não me  respondeu, porquê? Eu fiz ou falei algo que você não gostou? Eu gosto muito de você, o que me deixa mais triste é que te  pedi em namoro na outra carta e você não me  respondeu, é porque não quer namorar comigo?  Seja qual for seu pensamento saiba que vou continuar te amando, para sempre. Espero que me responda desta vez. Seja qual for a resposta, eu preciso de uma.
Tchau!

            Era mais uma carta escrita e enviada, e minhas esperanças continuavam para que ela me respondesse. Minha Mãe todos os dias me falava para brincar com as crianças vizinhas, mas  ela percebia que eu não estava bem para isso, que preferia  ficar em casa, sozinho. Minha mãe era uma  pessoa  muito legal, amiga, ela sempre enxergava que eu não estava bem, e tentava me animar, sentia muita falta de Helena, mas tinha uma companheira em casa, era minha mãe.

            Queria tanto contar para ela de Helena, poder contar sobre o que sinto, pedir conselhos, mas se eu contasse para ela, ela contaria para meu pai, ela era legal como disse, mas quando se tratava da família Alencar, ela se irritava e se eu contasse ela iria direto contar para meu pai. E meu pai, era uma pessoa fria, que não suportava erros, vivia para o trabalho e odiava os Alencar.
            O que eu sinto por Helena, só Arthur sabe, confio plenamente nele, mas eu estava achando estranho ele não me ligar mais, não falar o que estava acontecendo por lá, fiquei muito triste porque até meu primo estava me deixando sozinho,eu já não sabia mais o que fazer se eu esquecia Helena ou se eu a esperava o tempo que fosse preciso. ..

            Dez anos se passaram, eu estava com vinte anos, e Helena também. Durante todo este tempo, por todos os meses eu mandei cartas, mas até hoje nenhuma foi respondida,  meu sentimento não mudou, continuo amando Helena. Da última vez que liguei para meu primo ele me disse que Helena nem se lembrava mais de mim, estava feliz e namorando com outro cara. Essa notícia me deixou no chão! A Helena que passei minha infância e adolescência amando não era a mesma de hoje, quando éramos crianças éramos inseparáveis, e ela parecia gostar de mim também, ela jurou que me esperaria, mas não esperou. O amor de infância se tornou o amor de adulto, mas só dentro de mim.
            Estava na faculdade já, cursando medicina, como papai queria. Não era bem o que eu queria mas era o que ele queria, e era somente a opinião dele que valia. Meus pais e eu estávamos vivendo muito bem na Austrália, os negócios de meu pai estavam indo muito bem, os pais de meu primo Arthur estavam cuidando muito bem da fazenda no interior de Goiás, estava tudo dando certo, mas dentro de mim, não. Eu me sentia muito sozinho, por mais que eu tentasse, não conseguia encontrar uma garota como Helena, nem amigos verdadeiros eu tinha.
            Na faculdade, várias garotas vieram atrás de mim, mas nenhuma me interessava, nenhuma se comparava a Helena, a pureza e doçura que só minha Helena tinha. Não consigo acreditar que ela está namorando com outro garoto, sendo que fui eu que pedi ela em namoro, um pedido que jamais foi respondido.
            Ahhhh Helena... Se soubesse quanta falta você me faz. Ela era uma menina ainda, mas lembro de como ainda criança ela já era linda, sua pele branca e suave como a neve, sua boca então, era maravilhosa, vermelha como um coração, um cabelo loiro e liso. Eu me lembro,  me lembro de quando brincávamos e eu puxava seu cabelo, me lembro de seu olhar também, com aqueles olhos azuis. Helena parecia uma boneca, a sua beleza era diferente, se destacava...
            E agora? Como Helena estaria? Será que sua beleza ainda era a mesma? Acho que ela deve estar mais linda ainda, agora ela não é mais a menininha de antes, deve ser uma mulher e sua beleza deve ser maior ainda!
            Um amor não correspondido como o meu, rasga, machuca e destrói, mas o que vou fazer se esse amor não sai? O que me resta é conviver com esse amor solitário, tentar não demonstrar minha tristeza pros meus pais, e guardar esse sentimento só pra mim. Na verdade, a vida não está sendo fácil, não tem sentido. Minha vida se resume apenas em estudar, e pensar, estudar.
            A faculdade me ocupava, afinal, o curso de medicina não é fácil. Era a única forma de o tempo passar, eu vivia estudando, pesquisando, e aos poucos eu me tornei o melhor aluno da sala. Meus pais ficaram muito felizes por mim, eles me viam só estudando e isso era um orgulho para eles.
            Em uma bela noite australiana, para minha surpresa, quando desci para jantar, havia uma moça sentada junto aos meus pais na mesa, quando me aproximei e sentei minha mãe foi logo a apresentando:
            _ Meu filho esta é Elisa, filha de um amigo de seu pai. Nós a convidamos para jantar conosco e para vocês se conhecerem, pois estava achando você muito tristonho.
            Eu, claro que não me interessei pela moça, mas mantive minha educação e disse:
            _ Muito prazer Elisa!
            Foi o máximo que consegui, um único sorriso educado e o silêncio do jantar, só o barulho dos talheres e a fala dos meus pais, às vezes, para quebrar o silencio do meu coração.
            O que minha família está pensando? Agora além de estudar o que eles queriam, vou me casar com quem eles querem também?  Naquele momento guardei essas palavras para mim.
            Após o jantar fomos para a sala, e minha mãe me fez sentar ao lado da moça, logo trocamos algumas palavras:
            _ Você estuda o quê?
            E ela meio sem graça, pois entendeu rapidamente a situação, disse:
            _ Estudo direito, e você?
            _ Estudo medicina, já estou terminando.
            Eu não via graça em conversar com qualquer garota que seja, e ali estava vendo que se continuasse conversando com ela, minha mãe iria me fazer acabar me casando com a moça.
O silêncio era maior que as palavras, o abismo entre eu e aquela desconhecida era enorme, decidi inventar que estava passando mal e que iria me deitar.
            Elisa era simpática, inteligente e bonita, a culpa não era dela, juro que se pudesse esquecer Helena..., mas não seria honesto de minha parte enganar essa moça.
            Na manhã seguinte acordei com minha mãe brigando comigo, por conta da noite passada, mas só escutei e fiquei quieto, não havia o que falar, porque realmente ela estava com razão, já estava passando da hora de eu me compromissar com alguma moça, mas não podia contar a ela que já era apaixonado por alguém. Então ela saiu do quarto, e eu diante de toda a situação, a pressão de meus pais e meu amor não correspondido por Helena, sentei em minha cama e chorei, chorei como um menininho de cinco anos; chorei muito, parece que eu não tinha saída, estava me sentindo preso, sozinho, sem rumo.
            Pensei comigo mesmo se  o amor é assim, cheio de sofrimento, dor, parece que está tudo escuro, não se vê direção... Nesse momento, me passou pela cabeça em pegar um papel e uma caneta e escrever para Helena, mas para quê? Se ele não iria me responder, depois de tanto tempo eu iria ser um tolo se escrevesse para ela. Os tolos também amam, os tolos amam sozinho, amam mesmo sabendo que esse amor não vai ser correspondido, e eu? Sou um desses tolos!
            Dias passam, mas nada muda, já estava ficando sem ânimo até para os estudos. No final de semana, eu não costumava sair, mas no sábado de tardezinha minha mãe me avisou que iríamos sair juntos. Uma noite em família, que iríamos pra um restaurante, e não iam aceitar que eu não fosse, ou seja, mesmo não querendo tive que ir.
            Chegando ao restaurante, adivinhem quem estava lá? Sim, a Elisa, mais uma vez minha mãe quis tentar empurrar aquela moça para mim, ela não desiste nunca. E mais uma vez fiquei em silêncio durante todo o jantar, mas dessa vez não sabia o que inventar para escapar de minha mãe e de Elisa. Agora, a  moça que chegou e sentou-se perto de mim. Ela era agradável, não merecia que eu a tratasse  mal...
            Acabando o jantar, meus pais pediram para que eu levasse Elisa embora, pois eles iriam esticar a noite como um casal. Eu não vendo alternativa, aceitei. Chegando a sua casa, parei o carro e resolvi falar para ela a verdade, que não queria nada com ela, quem sabe assim ela não aceitaria os pedidos de minha mãe.
            _ Elisa, não tenho nada contra você, aliás, é uma garota muito educada e bonita, mas preciso dizer algo sobre a insistência dos meus pais. Desculpe-me, eu não gosto de você, e não há chances de me interessar por você nem agora nem depois. Você é maravilhosa, mas já amo outra pessoa. Na quero enganá-la.
            Ela ficou sem saber o que dizer, ficou sem graça, então terminei de falar:
            _ Peço desculpas pela minha mãe, eles querem tomar conta da minha vida, mas te agradeceria muito se não aceitasse mais os pedidos dela.
            Ela não ficou mal com o que eu disse, pois ela também não gostava de mim, percebi que ela também era filha de pais que querem escolher até com quem o filho deve casar. E ela responde com toda educação:
            _ Eu entendo, pode deixar que vou tentar escapar de sua mãe, sei que nos dois não iríamos dar certo, obrigado por ter me trazido, tchau!
            E assim desceu do carro e desapareceu por aquela porta.
            A vida e as oportunidades estavam passando na minha frente, e eu as deixando passar, e continuando preso em Helena, por incrível que pareça meu sentimento só aumentava, mesmo sabendo que Helena nem se lembrava de mim. Pensava nela toda hora, todo segundo, eu não sei como explicar, mas algo me prendia a ela de uma forma tão forte, como se alguém sussurrasse em meu ouvido e dissesse:
            _ Não desista!
            E assim continuei, convivendo com a dor, a dor daquele amor de infância que pensei que seria para sempre. Quando era criança, mesmo com mente de menino, eu via meu futuro com Helena, e olha como tudo mudou. Na verdade, não sei como consegui transformar-me no estado em que estou agora. Horas de desespero, fica tudo escuro, acho que a luz mesmo só vai aparecer quando ver Helena. Tem hora que me desespero, mas também tem hora que me revolto. Me revolto com a vida, em como ela foi injusta comigo, e depois peço desculpas a Deus, afinal pra que me revolta com a vida? Ela não tem culpa, quem tem culpa é o amor, o maldito amor que rasga meu coração e só causa dor, dor e dor.
            A noite havia chegado e então fui me deitar, quando amanheceu, antes de eu sair do meu quarto, ouvi meus pais conversando, eles estavam pensando que eu estivesse dormindo e conversavam sobre a família Alencar. Foi nesse dia que descobri o porquê da inimizade com a família de Helena.

A minha família era muito amiga da família de Helena desde muito antigamente; meu avô tinha uma empresa de tecidos muito grande, e o avô de Helena era o seu braço direito na empresa. Mas, um dia, meu avô descobriu que o dinheiro da empresa havia sido desviado, e a empresa estava falindo. Meu avô desconfiou logo do avô de Helena, acusou-o de tê-lo traído, e a partir deste dia as famílias se tornaram inimigas, sem nunca provarem nada, nem culpa, nem inocência.
           
            Não contei para meus pais que tinha ouvido a conversa deles, e nem iria contar, não adiantaria nada eu saber dessa história agora, afinal Helena já havia me esquecido.
            Os dias passavam lentamente, e u, estudo, reflexão e mais estudo. Em uma noite, em casa, meu pai me chamou e me disse que precisaria voltar para Goiás, fazer uma viagem a trabalho. Disse que essa viagem duraria uma semana. Precisaria ir à fazenda para resolver alguns negócios com meu tio, o pai de Arthur, e me convidou par ir junto.
            O convite dele veio foi como uma bomba pra mim. Todo passado de volta, pela minha cabeça as dúvidas, as lembranças boas que passei na fazenda com Helena, mas também o medo. Pensei que se fosse lá com meu pai, eu poderia encontrar Helena, e com outro homem, seria demais pra mim. Mas meu pai insistiu, e depois de tantos anos, eu não tive como recusar. afinal, era uma oportunidade de me aproximar mais dele, e, talvez de enfrentar o passado e curar feridas. Seria apenas uma semana...

            Fui dormir, pensando. E agora? Como seria nossa ida a Goiás?

O Romantismo


O Romantismo começa em meados do século XIX na França abordado pelo conhecido “Romance de Folhetim” este é escrito por capítulos e publicado semanalmente em jornais com uma estrutura em colunas, com o principal objetivo de prender o público à leitura dos textos românticos facilitando até a camada plebéia a conhecer o mundo literário do movimento do Romantismo.
Este movimento literário aborda muitos temas com o objetivo de mostrar, por meio da ficção, um retrato da realidade burguesa daquela época, procura demonstrar como o eu - lírico se sentia, explicitando sentimentos e subjetividade a cada texto publicado.
Umas das principais obras do Romantismo Brasileiro são: A Moreninha – Joaquim Manoel de Macedo, Memórias de um Sargento de Milícias – Manoel Antonio de Almeida, Senhora e O Guarani de José de Alencar, dentre outras.
Há um vídeo, inclusive disponível no youtube, que representa muitas características do período literário romantismo, é um curta metragem baseado na obra de Edgar Allan Poe que retrata a vida oposta de Vincent Malloy e Vincent Price, bem como o pessimismo e o escapismo tão marcantes desse movimento literário.
Pode-se dizer que o Romantismo teve como marco algumas preocupações recorrentes da época, como por exemplo: uma visão individualista e ao mesmo tempo surreal. O individualismo foi destacado pelo homem da sociedade, este forçava automaticamente o seu próprio destino rompendo a ideia da integração da sociedade.
O Romantismo foi dividido em  três gerações:
- Primeira geração: Nacionalismo e historicismo.
- Segunda geração: É a chamada ultrarromântica  marcada pelo mal do século.

- Terceira geração: Apresenta preocupação com questões políticas e sociais e conhecidas como fase de transição do Romantismo para o Realismo.